Um fazendeiro surdo casa-se com uma mulher obesa por causa de uma aposta; o que ela extraiu da orelha do marido deixou todos atônitos. Na manhã em que Clara Valdés se tornou esposa, a neve caía sobre a Serra de Chihuahua com uma paciência melancólica, como se o próprio céu soubesse que aquele não era um dia de celebração, mas de resignação.

O papel queimou seus dedos.

Naquela noite, ela confrontou Elías, com o bilhete na mão. Ele o leu e fechou os olhos em fúria silenciosa.

“Você sabia?” Clara perguntou.

Ele hesitou antes de responder.

“Descobri depois do casamento. Seu irmão veio bêbado ao rancho e zombou de mim. Disse que apostou com alguns homens da aldeia que eu não conseguiria trazer uma mulher para casa.”

Clara sentiu vergonha e fúria a sufocarem.

“Então eu valia uma dívida com meu pai… e uma aposta com meu irmão.”

Elias ergueu o olhar.

“Para mim, não.”

Ela o encarou em silêncio.

“Então por que você concordou?”

Ele demorou tanto para responder que Clara pensou que ele não fosse falar.

“Porque eu estava cansado de ficar sozinho. E porque pensei que uma mulher obrigada a vir comigo não esperaria muito de mim.”

Essas palavras a atingiram em cheio.

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