O papel queimou seus dedos.
Naquela noite, ela confrontou Elías, com o bilhete na mão. Ele o leu e fechou os olhos em fúria silenciosa.
“Você sabia?” Clara perguntou.
Ele hesitou antes de responder.
“Descobri depois do casamento. Seu irmão veio bêbado ao rancho e zombou de mim. Disse que apostou com alguns homens da aldeia que eu não conseguiria trazer uma mulher para casa.”
Clara sentiu vergonha e fúria a sufocarem.
“Então eu valia uma dívida com meu pai… e uma aposta com meu irmão.”
Elias ergueu o olhar.
“Para mim, não.”
Ela o encarou em silêncio.
“Então por que você concordou?”
Ele demorou tanto para responder que Clara pensou que ele não fosse falar.
“Porque eu estava cansado de ficar sozinho. E porque pensei que uma mulher obrigada a vir comigo não esperaria muito de mim.”
Essas palavras a atingiram em cheio.
