“Me devolve.”
“Você está em trabalho de parto, não sendo atacada.”
“Podem ser a mesma coisa.”
Ela jogou o telefone no sofá do outro lado da sala.
“Fique aqui até Janet chegar.” “Não me importo se o presidente aparecer.”
O relógio de pêndulo bateu quatro horas lá embaixo. Então, outra contração me atingiu, tão forte que gritei. Quando passou, senti algo quente subir pela minha perna. Não era muito, mas o suficiente para me assustar. Barbara olhou para o meu rosto.
“O quê?”
Então, a tela do meu celular piscou na cadeira. Uma voz calma e automatizada preencheu a sala.
Protocolo de emergência ativado. Os serviços de emergência foram notificados da sua localização. Por favor, mantenha a calma. A ajuda está a caminho.
Por um instante perfeito, ninguém se mexeu. Richard se lançou para pegar o celular.
“O que você fez?”
“É um protocolo de segurança”, eu disse, respirando com dificuldade. “Se o celular detectar que estou em trabalho de parto e não estou indo para o hospital, ele envia alertas.”
Barbara se virou para mim.
“Vocês nos denunciaram à polícia?”
“Eles não precisavam. Vocês mesmos fizeram isso.”
A voz automatizada repetiu a mensagem. Localização GPS. Daniel. Dra. Martinez. Sandra. Serviços de emergência. Tudo havia sido enviado. O rosto de Barbara empalideceu.
“Eles estão nos fazendo parecer criminosos.”
“Se o vestido servir.”
Sua expressão se contorceu.
“Sua pirralha vingativa…!”
“Cuidado”, eu disse. “Ainda está sendo gravado.”
