“Hospital.”
Barbara entrou e acendeu a luz do teto. O quarto estava banhado por uma luz amarela forte. Minha mala de maternidade, meio fechada, estava perto da porta, perto o suficiente para ver, mas longe demais para alcançar.
“Os bebês estão chegando”, eu disse.
“As mulheres dão à luz há séculos sem correr para o hospital ao primeiro sinal de dor.”
“Essa não é uma dorzinha qualquer.”
“Não”, ela disse. “É trabalho de parto. O que significa que você precisa manter a calma e seguir o plano.”
O plano. Por três semanas, Barbara e seu marido, Richard, estiveram hospedados em nossa casa “para ajudar”. Eles traziam ensopados, chás de ervas, roupas dobradas e opiniões não solicitadas. Barbara chamava nossa casa de “a casa do Daniel”. Ela criticava meu médico, deixava artigos sobre os riscos de partos hospitalares sobre a mesa e não parava de falar sobre “parto natural”, como se minha gravidez gemelar de alto risco fosse uma afronta pessoal ao seu orgulho. E então havia as chaves. Durante a última semana, as chaves do meu carro desapareceram várias vezes. Agora eu via o peso familiar puxando o bolso do roupão de Barbara.
“Preciso do meu celular”, eu disse.
“Por quê? Para algum médico te assustar e te obrigar a fazer uma cirurgia?”
“Estou cronometrando as contrações.”
Desbloqueei meu celular, que estava parcialmente coberto pelo cobertor, e apertei o atalho de gravação que minha advogada, Sandra, havia configurado duas semanas antes. Um pequeno ícone vermelho apareceu. Outra contração foi mais forte e me obrigou a sentar. Barbara me observava do pé da cama.
“Já preparei a banheira de parto na sala”, disse ela. “Janet já chega.”
Olhei para ela.
“Janet?”
“Ela é da igreja. Ela já ajudou em partos.”
“Janet vende óleos essenciais no porta-malas do carro.”
“Ela entende de parto natural.”
“Estou esperando gêmeos.”
“E seu corpo foi feito para isso.”
“Minha gravidez é de alto risco. Preciso de atendimento médico.”
A gentileza de Barbara desapareceu.
“Não.”
Lá estava. Claramente. Chega de fingir. Joguei o cobertor para o lado e deixei meus pés tocarem o chão.
“Vou para o hospital.”
Uma figura mais imponente apareceu atrás dela. Richard estava parado na porta, completamente acordado.
“Você deveria voltar para a cama.”
