A palavra saiu primeiro como um sussurro, depois como um grito. NÃO.
Os joelhos de Sarah fraquejaram.
Ela socou violentamente o chão enlameado, arranhando-o com as mãos.
Este vestido? Emma o usou em seu sexto aniversário, apenas dois meses antes de desaparecer.
Ela insistia em usá-lo o tempo todo, chamando-o de seu vestido de princesa.
Finalmente, Sarah conseguiu convencê-la a guardá-lo para ocasiões especiais, prometendo que ela poderia usá-lo na igreja aos domingos.
O inspetor Morrison ajoelhou-se ao lado dela, com os olhos marejados de lágrimas.
O equipamento forense ao seu redor parou de funcionar, causando-lhe um momento de dor intensa.
O pântano ficou em silêncio; apenas os soluços de Sarah e os gritos distantes de pássaros tristes, indiferentes à tragédia humana, quebravam o silêncio.
Enquanto Sarah, ainda ajoelhada na lama, tentava compreender o que tinha visto, uma voz familiar rompeu o caos controlado da cena do crime.
Sara.
Meu Deus, Sarah!
Ela olhou para cima, com os olhos embaçados e cheios de lágrimas, e viu Mark Whitmore forçando a passagem pela fita de segurança externa.
O rosto do ex-marido expressava uma mistura perfeita de choque e tristeza.
Sua expressão normalmente impassível mudou ao observar o que acontecia ao seu redor.
Ele ainda vestia o uniforme da loja de ferragens: um colete vermelho com o brasão da família Whitmore bordado no peito.
Senhor, o senhor não pode.
“Um policial uniformizado se aproximou para prendê-lo.”
“Ela é minha filha”, disse Mark, com a voz embargada.
Ouvi no rádio.
Disseram que ela ainda estava em Blackwater Marsh.
Esta é a minha namorada.
O detetive Morrison olhou para Sarah e Mark, depois acenou com a cabeça para o policial.
Certo.
Ele é o pai da Emma.
Mark correu e se ajoelhou ao lado de Sarah na lama.
Sem hesitar, passou o braço em volta dela e a abraçou forte.
“Vamos superar isso juntos”, murmurou, com a voz rouca de emoção.
“Assim como sempre prometemos à Emma.”
Sarah se viu nos braços da família, quebrada demais para sustentar os muros que três anos de divórcio haviam erguido entre eles.
A camisa xadrez de Mark cheirava a serragem e café, o mesmo cheiro que um dia a fez lembrar de casa.
O inspetor Morrison se agachou ao lado deles, com a voz profissionalmente gentil.
Sei que isso é extremamente difícil, mas preciso explicar o que acontecerá a seguir.
Será necessário um teste de DNA para confirmar a identificação, mas, dado o tamanho dos restos mortais e os fragmentos do vestido, ele fez uma pausa e escolheu as palavras com cuidado.
Há uma grande possibilidade de ser Emma.
Mark apertou o braço de Sarah com mais força.
Quanto tempo levará para sabermos com certeza? Os testes iniciais levarão aproximadamente 72 horas.
Um exame forense completo levará mais tempo.
Morrison olhou para eles.
