Era uma proposta para comprar um apartamento de luxo. A beneficiária: Graciela Aranda.
Minha sogra não só me tratou como uma intrusa na minha própria casa, como o filho dela estava tentando comprar um apartamento para ela usando meu histórico de crédito, minha renda e o valor da minha casa como garantia.
“Isso pode ser fraude”, disse Patricia. “E o que aconteceu ontem, Valeria, não foi um acidente. Foi agressão.”
Às 7h30 da manhã, estávamos em frente à minha casa. Patricia, dois policiais municipais, um chaveiro e eu.
O condomínio fechado estava silencioso. Os vizinhos passeavam com seus cachorros, os jardineiros varriam as folhas, e eu sentia como se meu casamento estivesse prestes a desmoronar diante de uma porta cor de nogueira que eu mesma havia escolhido.
Quando Graciela abriu a porta, ela estava usando o mesmo roupão rosa, como se não tivesse agredido ninguém na noite anterior.
“Que circo é esse?”, perguntou minha esposa.Chamei a polícia.
Patricia deu um passo à frente.
“Sra. Graciela Aranda, por meio deste, notificamos que a senhora deve desocupar esta propriedade. O proprietário não autoriza sua presença aqui.”
Graciela soltou uma risada seca.
“Proprietário? Coitada. Valeria, pare de se fazer de boba. Esta casa pertence ao meu filho.”
Então olhei-a nos olhos.
“Não, Graciela. Esta casa é minha. Sempre foi.”
Patricia entregou cópias autenticadas da escritura. O policial as examinou. O chaveiro começou a trocar a fechadura.
Graciela empalideceu.
“Diego!” gritou ela de dentro. “Diego, venha e conte a verdade!”
Mas Diego não estava lá dentro.
Ele chegou cinco minutos depois, dirigindo como um louco, a camisa amarrotada, com a cara de quem sabia que sua mentira havia acabado.
“Vale, por favor”, disse ele. Vamos entrar e conversar como adultos.
“Sua mãe me queimou e me jogou na rua”, respondi. “E você a protegeu.”
Ele baixou a voz.
“Eu sei que ela foi longe demais, mas expulsá-la assim… na frente de todo mundo… é demais.”
Patricia o interrompeu:
“Não chame uma agressão e uma ocupação ilegal de ‘demais’.”
Graciela se agarrou ao braço de Diego.
“Diga a eles que esta casa é sua. Diga que você está pagando por tudo.”
Diego olhou para o chão.
E então ele disse a frase que me destruiu completamente:
“Eu disse isso para minha mãe… para que ela me respeitasse mais.”
Foi aí que eu entendi que não tinha sido um mal-entendido. Tinha sido uma decisão.
Mas o pior ainda estava por vir.
PARTE 3
A confissão de Diego deixou Graciela sem palavras pela primeira vez desde que a conheci.
O chaveiro terminou a primeira fechadura e me entregou um novo conjunto de chaves. O clique metálico na minha mão soou como justiça.
Patricia tirou outra pasta da bolsa.
“Sr. Diego Salazar, também há restrições temporárias de ocupação para o senhor. O senhor tem uma hora para reunir documentos, roupas e itens essenciais.”
Diego ergueu a cabeça, pálido.
