Diante da família do meu marido, minha sogra disse que, quando me casei, eu tinha…

Assenti com a cabeça.

“Bom dia, Arturo.”

Ele nunca me chamava de “Lucía” em público. E, pela primeira vez, apreciei aquela formalidade quase cirúrgica.

“Eles chegaram há cinco minutos”, acrescentou. “Todos vieram.”

Claro que sim.

Não me surpreendeu.

A família Rivas nunca perdia um espetáculo quando achava que podia organizá-lo.

Virei a cabeça em direção à sala de espera lateral.

Lá estavam eles.

Patricia ao centro, vestida de azul.
Escura, como se estivesse participando do funeral do próprio prestígio, embora ainda não soubesse disso. Dom Álvaro estava ao lado dela, sério, mas não triste. Fernanda, de óculos escuros, estava dentro do prédio, incapaz de abandonar sua persona nem mesmo para humilhar alguém às dez da manhã. Daniel estava de pé, olhando fixamente para o celular, o maxilar cerrado por uma tensão que o tornava rígido. E atrás deles, para meu completo espanto, estavam duas tias de Patrícia, que certamente vieram “acompanhá-la”.

A família inteira.

Porque, mesmo para um divórcio, precisavam de plateia.

Quando me viram entrar, Patrícia foi a primeira a se levantar. Sua expressão carregava aquela compaixão venenosa e falsa que ela aperfeiçoara ao longo de décadas.

“Lucía”, disse ela, dando dois passos à sua frente. “Você ainda tem tempo para não passar vergonha.”

Arturo moveu-se ligeiramente para a minha direita. Não interveio. Apenas ficou parado ali.

Sustentei o olhar de Patrícia. — Bom dia, senhora.

Aquilo a pegou um pouco de surpresa. Ela esperava tremores, lágrimas ou raiva. A serenidade sempre a enfurecia mais.

— Daniel quer falar com a senhora em particular — disse ela.

— Não.

— Não é assim que funciona.

— Tem sido ‘assim’ por três anos, Sra. Patricia. Com vocês todos dizendo e decidindo, e eu apenas absorvendo tudo. Hoje não.

Fernanda soltou uma risadinha.

— Olha só para ela, já se sente importante só por ter vindo com um advogado.

Arturo, sem mudar a expressão, respondeu antes que eu pudesse:

— A Sra. Morales não se sente importante, Srta. Rivas. Ela é.

O silêncio foi instantâneo.

Patricia piscou.

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