Ele parecia diferente de como estava sentado lá dentro, bancando o homem bem-sucedido e divertido. Lá fora, ele estava suando, pálido, com a voz embargada.
“Você está indo longe demais.”
“Eu?” Perguntei. “Você anunciou na frente de todos que não queria mais se casar comigo. Eu só ajudei você a oficializar isso.”
“Foi estúpido, sim. Uma coisa estúpida de se fazer. Eu errei.”
Balancei a cabeça.
“Não. Você não errou. Você disse exatamente o que queria dizer. Você só não contou com o meu apoio antes de precisar de mim de novo.”
Foi aí que ele parou de fingir.
“Mariana, escuta… se você retirar seu apoio, uma negociação crucial vai por água abaixo.”
“Eu sei.”
“Tem folha de pagamento envolvida.”
“Eu sei disso também.”
“Tem gente que depende de mim.”
Dei uma risada amarga.
“Engraçado. Porque você dependia de mim e nunca se importou com isso.”
A expressão dele endureceu por um segundo, mas então ele implorou novamente.
“Podemos consertar isso.”
“Consertar o quê? O casamento? A infidelidade? Ou a sua empresa?”
Ele ficou sem palavras.
Ali estava, a verdade. Nua e crua.
Ele não veio me procurar lá fora para se desculpar por me humilhar. Ele não correu atrás de mim porque eu o magoei. Ele saiu porque sabia que seus negócios iriam à falência sem mim.
“Sim, eu li as mensagens”, eu disse.
Seu rosto empalideceu.
“Sua com a Renata.”
Ele nem teve coragem de negar.
Ele baixou o olhar por um instante, como se isso fosse suficiente para aliviar o fardo que carregava.
“Mariana… não aconteceu do jeito que você pensa.”
“Claro que aconteceu do jeito que eu penso. Eles estavam zombando de mim. Estavam planejando me substituir antes de cancelar o casamento. E enquanto isso, você continuava me deixando resolver seus problemas.”
Ele deu um passo em minha direção.
“Eu juro que ia falar com você.”
“Antes ou depois de usar meu nome para salvar a resenha de sexta-feira?”
Ele não respondeu.
Não era mais necessário.Peguei meu celular e, na frente dele, enviei três mensagens que havia preparado desde que saí da sala reservada. Uma para o meu escritório, retirando meu envolvimento no caso. Outra para o banco, notificando-os de que eu não os representaria mais em nenhum processo relacionado à empresa de Julián. E a terceira para um de seus principais clientes, indicando que quaisquer pendências deveriam ser tratadas diretamente com ele ou com o advogado que ele decidisse contratar.
Sem mentiras. Sem vingança suja. Apenas a verdade.
Isso foi o suficiente.
“O que você fez?”, perguntou ele, com a voz embargada.
“O que eu deveria ter feito há muito tempo: parar de te proteger.”
